Blog

Navegando na tempestade – Como empresas podem sobreviver na era COVID-19

Estamos vivendo um cenário mundial totalmente sem precedente, momento de pandemia, onde as pessoas estão buscando cada vez mais tecnologia, negociações virtuais, saindo o mínimo possível de casa. Estima-se que 40% da população brasileira está enclausurada dentro de suas casas, compra e vende de tudo sem sair de casa. 

Hoje a realidade mudou, estamos na era da realidade virtual. Temos que aprender como comprar e vender virtualmente, porque presencialmente mudou a realidade. Os shoppings que acabaram de abrir irão vender pouco, o comércio de rua tem trabalhado o máximo e está rendendo menos da metade, então sem dúvida devemos debater em como nos inserir nesse novo mundo que nos apresenta. 

Precisamos analisar o mercado macro, micro e nano econômico, trazendo esses indicadores para dentro de nossas receitas, custos e indicadores econômicos e financeiros, nos modernizando na gestão por competência, certos de que haverá uma corrida desenfreada para a sobrevivência em momento de crise. 

 

A partir de 31 de dezembro de 2019 quando o primeiro caso da COVID-19 foi reportado pela China, a economia mundial e brasileira começou a sentir seus efeitos. Nfinal de janeiro e início de fevereiro em virtude do lockdown de algumas regiões estratégicas na Ásia e na China, promoveu falta de componentes tecnológicos com impacto na cadeia produtiva mundial e já houve restrição de importações nesse período.  

Logo após o carnaval, a economia brasileira sentiu um impacto mais severo devido ao movimento que se instalou na Europa e na Economia Mundial pela necessidade eminente dos países de fazer o isolamento social e em alguns casos a quarentena a partir de março e com muita intensidade em abril. Maio e junho os órgãos sanitários projetam o pico da pandemia, e as previsões são de um impacto severo na economia brasileira que se intensifica com uma queda expressiva na demanda em geral devido ao isolamento social, causando um choque negativo de consumo de demanda que preocupa economistas e empresários. 

  

Temse dois efeitos.  

 

Efeito macro econômico uma queda no processo inflacionário já causando impacto deflacionário em combustível, algumas commodities e de maneira mais intensiva em serviços visto que nossa economia é muito focada em serviçosaproximadamente 70% do nosso PIB, ou seja, nossa capacidade de produção é focada em comércio e serviços. 

 

Nesse sentido, o Banco Central vem reduzindo drasticamente a taxa de juros da economia brasileira principalmente a de curto prazo, a SELIC. Em junho com o câmbio mais bem comportado podemos ter juros ainda mais baixos. 

 

A queda da demanda tem esse impacto macro econômico, e mais micro econômico e contagioso nas diversas regiões do Brasil. 

É que demanda conversa com nossa empresa na receita. Os empresários e gestores devem ter muito claro isso, receita é demanda, custo e despesa é capacidade produtiva. Sempre que se está reduzindo o custo e despesa sempre se está melhorando a eficiência, está se melhorando a capacidade produtiva de oferta. Sempre que se está expandindo sua demanda está melhorando a receita, ou seja, sua capacidade de venda. 

  

Temse no cenário atual um impacto significativo na queda da demanda que vemos no dia a dia das empresas e nos seus parceiros, com demanda caindo de 20 a 50% para mais. Vemos esse impacto de uma maneira muito forte.  

 

Dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do mês de abril atual apontam 860.503 vagas perdidas. Em abril de 2019 foram criados 129.601 postos de trabalho. Vale ressaltar que o CAGED divulga empregos de alta qualidade com registro em carteira, sabemos que os informais são grande maioria dos trabalhadores brasileiros em virtude da recessão vivida pelo Brasil desde o ano de 2015. A taxa de desemprego será muito maior. 

 

Esperase, no mínimo, uma taxa de desemprego próximo de 20% da população economicamente ativa, 8% acima dos 11,9% de 2019, representando 3,15 milhões de desempregados 

 

Sem dúvida isso vai impactar seriamente no resultado de todas as empresas, provavelmente irá se intensificar nos próximos meses na economia brasileira. 

 

Mato Grosso é o segundo estado no Centro Oeste em demissões no ano de 2020, e em 2019 contava com uma população de 3,4 milhões, 345 mil (10,15%) sem carteira assinada e 165 mil pessoas desempregadas (4,85%).  

Aplicando a estimativa do aumento de apenas 8% dos desempregados teremos mais 13,2 mil pessoas sem emprego formal, equivalentes à população de cidade como Itiquira, devemos também considerar que os informais e sem carteira assinada, devido à recessão, estarão com sério risco de diminuição de renda e em perder seus trabalhos. 

Em números gerais teremos 178,2 mil pessoas desempregadas (12,85%) da população ativa e 345 mil pessoas com sério risco de renda decrescente. 

 

O pior da economia brasileira se espera para o segundo trimestre, o que estamos vivendo hoje, com queda do PIB (Produto Interno Bruto) próximo de –10%, e para o final de dezembro de 2020 estimam-se 6,5 a 7%. Vale lembrar que em 2017 tivemos crescimento de 1,06%, 2018 de 1,12% e 2019 de 1,10%. Isso significa no Brasil -8,10% sobre o PIB de 2019 de 7,3 trilhões, equivale a -591,3 bilhões de reais a menor circulando na economia. 

 

Em Mato Grosso o PIB de 2019 totalizou R$ 79,8 bilhões de reais, 50% desse total pertencentes à agropecuária. Para ilustrar cenários, aplicaremos os 8,10% nacional sobre esse montante, teremos queda do PIB MT no valor equivalente a R$ 6,46 bilhões de reais.  

 

Desemprego e queda do PIB acelerado e com perspectiva de piora, se espera cenário de grande crise econômica no Brasil e Mato Grosso, com reflexo pandêmico na visão de investidores e restrições de créditos em geral. 

 

Vale ressaltar que eMato Grosso, a agropecuária não contribui decisivamente para minimizar esses efeitos por estar voltada a consumo mundial e de outros estados da federação, trabalhando ainda em regime de commodities na produção de soja, algodão e pecuária, transferindo grande parte de renda e emprego para os mercados em que operam. 

 

Esses indicadores econômicos citados são de suma importância para tomada de decisões estratégicas e são sujeitos a revisões e acompanhamento, essa crise faz com que tenhamos uma abordagem em relação ao futuro com base em informações diárias e no mínimo semanais para trazer um cenário cada vez mais consistente.  

 

Acompanhar esses indicadores macros e micro econômicos diários torna-se importante para empresários, gestores e investidores a fim de corrigir cenários adequar os controles econômicos e financeiros das empresas, para que estejam preparados, adequados e consistentes face ao cenário quando da retomada das atividades. 

 

Nesse momento de crise geral da economia mundial, deve-se pensar na empresa e no mercado com a mesma exigência de um grande investidor ou banco global, detectando o valor operacional e financeiro da empresa.  

 

Vale a pena ser franco, respondendo: 

 

Como ele, o investidor ou uma instituição financeira se sentirá confortável em investir na minha empresa? O que exigiria de demonstrações financeiras e econômicas do meu negócio? Quais documentos e cenários exigiria para ser meu parceiro? Que expectativa consistente tenho sobre meu próprio negócio? Como eu venderia para mim minha empresa e meu modelo de gestão? Qual minha liquidez e indicadores de mercado hoje? Minha empresa alcançará liquidez a curto, médio ou longo prazo? Qual meu ativo e passivo? Qual foi minha margem operacional nos últimos anos e projeção para o futuro diante do cenário atual? Meu negócio é atraente? Vale a pena investir recursos na minha empresa 

 

Essas variáveis terão consistência nas ações para a retomada. 

 

O que esperamos de recuperação? 

 

Para pensar na melhora econômica utilizamos um termo comum de fácil entendimento que seria restabelecer o consumo ou o nível de demanda, restabelecendo o nível de confiança do empresário e do investidor. Sem isso não se consegue melhorar o quadro depressivo. 

 

Não existe um modelo preciso para mensurar e consequentemente dar uma resposta muito clara e com menor erro padrão possível do processo de recuperação, a melhor metodologia diante da situação que estamos vivendo é coletar as informações através de uma análise qualitativa, através de pesquisa com empresários, instituto de pesquisas, consultores, empresas especializadas formadoras de opiniões, obtendo respostas do que esperam da recuperação da economia brasileira, dos negócios por segmento, do mercado local em que a empresa participa. 

 

Em pesquisas econômicas recentes, grande parte dos empresários, dos executivos, gerentes e diretores esperam uma recuperação da economia brasileira inicial consistente não em uma recuperação do mercado de trabalho, da renda e de todas as condições mesmo porque o mundo vai mudar muito.  

Uma recuperação mais consistente da economia brasileira ocorrerá no quarto trimestre desse ano. Nesse segundo trimestre, teremos uma retomada lenta, no terceiro e quarto trimestre haverá uma recuperação mais interessante. Tem economistas e executivos que acham que essa recuperação vem a partir de 2021 de uma maneira um pouco mais intensa, mas ainda não plena.  

Nesse cenário tem setores que virão mais rápido e outros demorarão mais. 

 

Setores que tendem a recuperar um pouco mais rápido, o de combustíveis, construção civil e metal mecânico. Dependendo da área de serviço e comércio que a empresa estiver, entrará nesse cenário mais rápido. 

 

Setores da área de comércio, serviços, turismo, shopping, grandes transportadoras, setor automobilístico terão uma dificuldade e um tempo de recuperação mais lento. 

 

Essa perspectiva se vê no cenário brasileiro e naturalmente essa recuperação vai ocorrer dentro das condições do cenário internacional, nacional e de Mato Grosso e deve considerar dentro de uma saúde fiscal e menos incertezas do cenário político. Um cenário político mais previsível e consequentemente uma condição fiscal mais saudável são essenciais para que se consiga ter o início de recuperação interessante e melhor para o empresário brasileiro e mato-grossense no quarto trimestre de 2020.  

 

Se o mercado conviver com incertezas e a curva de contágio da COVID-19 acentuar, as previsões devem ser reavaliadas. 

 

Pesquisas em diversos setores econômicos observam quais são os executivos mais otimistas na recuperação da economia brasileira: o gerente, o diretor ou o empresário empreendedor?  

 

É sempre o empresário empreendedor 

 

Mesmo nesse momento de pandemia, vemos empresários pensando em investimento, buscando aquisições, criando novos negócios, buscando sempre reinventar o seu negócio, entendendo que se o mundo mudar, ele também vai mudar e continuar na sua atividade produtiva. 

 

Então vamos usar esse ponto positivo de nós empresários brasileiros e do Mato Grosso e sempre vamos continuar sendo otimistas. 

 

Temos uma recuperação pela frente, temos que trabalhar, pensar em novas estratégias de negócio, modernizar nosso modo de gestão, trabalhar com planejamento estratégico e plano de ação voltado para análise dos indicadores financeiros do mercado e da empresa. Devemos conhecer nosso posicionamento no mercado, recuperar e reinventar nosso modo de administrar e recuperar a economia de nossa empresa, da economia local, de Mato Grosso e do Brasil. 

 

Um novo cenário se desenha. O mundo não mais será o mesmo.  

 

Complementando a narrativa desse artigo, numa outra breve oportunidade podemos debater sobre temas complementares relacionados com a economia para conviver com a COVID-19, pandemia que não se ausentará esse ano de nosso convívio. 

 

Observamos algumas questões pontuais no cenário nesse instante que discutiremos numa outra oportunidade: 

  • Como prosseguir em face de todas as adversidades aqui expostas, choque na demanda, queda no PIB e desemprego sem precedentes não só no Mato Grosso e no Brasil, mas em todo o mundo 
  • Estamos vendo na mídia, países, estados e cidades promovendo reabertura com lojas movimentadas o que talvez dê um pouco de esperança nessa retomada. Ao mesmo tempo vemos cidades com dificuldade de segurar a volta pós-guerra ou quarentena com problemas seríssimos de logística e consciência das pessoas que provoca aumento na curva da contaminação pela COVID-19, o que pode acarretar um retrocesso na reabertura do mercado. Como administrar a retomada nesse cenário? 

 

Podemos dividir a discussão em três grandes temas: 

 

  1. Quais medidas as empresas industriais, as de comércio e serviços e de turismo devem tomar na retomada pós COVID? 
  1. E as empresas de tecnologia, como devem proceder na retomada em face da realidade do comércio eletrônico? 
  1. A COVID-19 impactou em muitas vertentes. O que veio para ficar de bom e de ruim? 

 

José Marcos Cuba |  Consultor Financeiro 

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Verifique também

Fechar
Fechar
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios